Fotos: Arquivo Pessoal
O 8º Circuito Paulista de Surf Universitário vem se destacando pelo grande número de instituições participantes e pela diversidade dos atletas que disputam à competição. São estudantes de várias áreas e com planos diferentes de vida. Alguns têm o surf como estilo de vida, mas tratam a profissão com prioridade no exercício de uma nova carreira. Este é o caso de Luara Munholi, de 20 anos de idade, aluna da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São Jose dos Campos, Estado de São Paulo.
Universitária quer participar de competições e pegar onda nas horas vagas
A surfista, que está no 6º semestre do curso de Engenharia Ambiental, disputa o Paulista Universitário pelo terceiro ano consecutivo. Ela participou de quase todas as provas neste período. Somente em 2005, quando foi para um congresso em Balneário Camburiú, deixou de correr uma etapa na praia de Camburí, em São Sebastião, Litoral Norte Paulista. Atualmente, ela está se preparando para a terceira etapa da competição, marcada para os dias 23 e 24 de setembro, na praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP).
Como boa parte dos jovens no Brasil, a estudante encara a batalha de cursar a faculdade e de trabalhar para pagar seus estudos. Apesar das barreiras, Luara não deixa o desânimo tomar conta e faz questão de participar de todas as etapas em 2006. “O fato de ter que conseguir boas notas, em 15 minutos de ondas, é um desafio a mais para mim”. Para ela, a diversão também faz parte das atrações do evento. “O pessoal é jovem, alegre e quase todos da mesma idade. Fiz muitos amigos nesse circuito. Acho muito legal isso”. Uma das propostas do Circuito é promover a interação entre as universidades do Estado. Segundo a atleta, a competição tem muita importância dentro do contexto universitário. “Acaba trazendo e levando cultura, além de conhecimento de um lado para o outro. É um bom intercâmbio. Isso é muito interessante”, valoriza. Na competição, Luara é a única representante feminina da Univap.
Luara Munholi, de 20 anos de idade, é aluna da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São Jose dos Campos
A falta de incentivo das universidades e as aulas de sábado são apontados como alguns fatores que dificultam a participação dos alunos. Ela explica que assim é difícil de conciliar, mas, ao mesmo tempo, a paixão pelo surf se torna fundamental para sua motivação. “Alguns estudantes não vivem o surf. Eu tenho isso no sangue, amo pegar onda. Acima de tudo, eu quero viver o esporte, a praia, a natureza e os amigos que conheci”, diz com entusiasmo.
Para participar das competições, Luara tem o patrocínio da prefeitura de São José dos Campos e da Vinac Consórcios. Também conta com o apoio da Rip Ventura e da Stiga, empresas que fornecem as pranchas que ela utiliza. A surf shop Sunpeak colabora com os acessórios esportivos e o Javier Cabeleleiros é responsável pelo visual estético da surfista.
Trabalho – A atleta acredita que os recursos naturais estão se esgotando e que a ciência deve ser trabalhada para que isso não aconteça. Neste sentido, ela pretende colaborar profissionalmente com a sociedade. “O meio ambiente precisa ser cuidado. Eu quero trabalhar, contribuir com isso e conscientizar a população de o quanto é importante preservar a natureza existente em nosso planeta”, idealiza.
Segundo a futura engenheira, o curso na área ambiental é muito legal, além de oferecer chances no mercado profissional. “Acho que tem tudo haver comigo. Além disso, é possível trabalhar bem nessa área. O meio ambiente é fundamental nas grandes empresas. A maioria delas está investindo neste segmento”.
A região do Vale do Paraíba, onde a surfista reside, é um importante pólo industrial de São Paulo. De olho neste filão, a estudante faz planos para inserção no mercado de trabalho. “As certificações e a legislação ambiental são regras importantes dentro das fábricas. Por isso, elas precisam do engenheiro ambiental. Quero atuar na parte de recursos hídricos. É um mercado bem promissor”, planeja. Um curso de inglês e alguns intercâmbios na área da Engenharia Ambiental também fazem parte de seus objetivos profissionais.Enquanto não termina a faculdade, Luara trabalha com finanças, no setor de previdência da prefeitura de São José dos Campos. Ela não atua na área ambiental pelo custo benefício da sua atual profissão. O emprego de hoje está rendendo um salário satisfatório. É com esse dinheiro que ela paga os estudos e custeia algumas viagens para competir. “É uma área que eu gosto. Os cálculos têm uma relação com a engenharia, mas não é a área que eu quero atuar depois de formada”, esclarece.
Família – Ela nasceu em São Jose dos Campos. Quando criança morou durante dois anos em Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo. Posteriormente, voltou para sua cidade natal, onde mora com os pais. É a caçula da família. Tem uma irmã de 29 e um irmão de 27 anos de idade. Na infância, a menina sempre vinha passar férias na casa de parentes na praia.
A irmã da atleta é publicitária e professora de dança. Essa influência fez com que a estudante praticasse anos de jazz e ballet. Iniciou no surf aos 15 anos de idade, quando passou a namorar um surfista. O pai e o irmão também pegam onda. “Foi o incentivo que eu tive para largar a sapatilha e começar a surfar”, revela como tudo começou.
O irmão, que também compete no Paulista Universitário, é estudante de engenharia e trabalha na Embraer, a mãe é coordenadora do museu do folclore da cidade em que vivem e o pai trabalha com publicidade. Ser engenheira ambiental é o principal objetivo na vida de Luara. Depois de formada e exercendo a nova profissão, ela pretende se manter no esporte. “Vou continuar com certeza. O surf é para o resto da minha vida. Ainda quero levar os meus filhos para surfar. Era assim que meu pai fazia comigo”, conclui.
Competição - Um dos objetivos dos confrontos entre surfistas universitários é a integração social, cultural e esportiva dos competidores. A oportunidade de reunir as principais instituições de ensino superior do Brasil, com estudantes de diversas áreas, sempre foi a principal meta do Ibrasurf (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento do Surf).
A terceira etapa do Paulista Universitário está marcada para os dias 23 e 24 de setembro, na praia de Itamambuca, em Ubatuba. A disputa final acontecerá nos dias 11 e 12 de novembro, na praia das Pitangueiras, em Guarujá. Mais informações no site www.ibrasurf.com.br ou no e-mail surfuniversitario@ibrasurf.com.br
O 8º Circuito Paulista Universitário de Surf é uma realização da APSU (Associação Paulista de Surf Universitário) e do Ibrasurf. Tem o patrocínio da Skol e Star Point, co-patrocínio da Flash Power, Nivana e Taca. Apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, Turco Loco, Volcom, Reef, Diamond Head e Bully’s. Organização da Federação Paulista de Surf, da Associação São Sebastião de Surf, da Associação Ubatuba de Surf e da Associação de Surf do Guarujá.
Publicada em 19/09/2006
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